Eles não querem pensar

por Thomas Alva Edison

Todo homem tem um ponto forte, alguma coisa que sabe fazer melhor que qualquer outra coisa. Muitos homens, contudo, jamais encontram o emprego para o qual estão mais preparados. E muitas vezes porque não pensaram direito. Muitos homens deixam-se levar pela preguiça e aceitam qualquer emprego, adequado ou inadequado para eles; quando não se dão bem, culpam a todos e a todos, menos a si mesmos.

Os queixosos são quase sempre pessoas insignificantes, homens pequenos que jamais fizeram esforço algum para melhorar sua capacidade mental.

O cérebro pode ser desenvolvido assim como os músculos podem ser desenvolvidos; basta fazer o esforço de treinar o cérebro a pensar. Por que tantos homens jamais chegam a ser alguma coisa? Porque não pensam.

Vou colocar placas em toda a minha fábrica, com os dizeres:

“ Não há expediente ao qual o homem não recorra para esquivar-se do verdadeiro trabalho de pensar. ”

Isso é verdade. Não se passa um dia sem que eu não descubra quão penosamente verdadeiro é isto.

Que progressos as pessoas poderiam fazer, e que progressos o mundo poderia fazer, se ao pensar fosse dada a merecida atenção!  A mim me parece que nem um homem em mil avalia o que poderia ser feito quando se treina a mente a pensar.

Por não usarem o seu poder de raciocínio é que tantas pessoas jamais desenvolveram uma mentalidade respeitável. Quando não é usado, o cérebro enferruja. Quando solicitado, o cérebro responde. O cérebro é como qualquer outra parte do corpo: pode ser fortalecido por meio de exercício adequado. Coloque seu braço numa tipóia e mantenha-o lá por um tempo considerável. Quando tirá-lo da tipóia, você perceberá que não consegue mais usá-lo. Da mesma forma , o cérebro que não é utilizado fica atrofiado.

Ao desenvolver seu poder de raciocínio você aumenta a capacidade do cérebro e adquire novas habilidades. Por exemplo, o cérebro da pessoa comum não assimila a milésima parte do  que o olho observa, simplesmente deixa de registrar as coisas que se apresentam ao olho. É inacreditável como é fraco o nosso poder de observação- a genuína observação.

Permitam-me dar-lhes um exemplo: quando desenvolvemos o sistema de iluminação incandescente tínhamos uma fábrica de lâmpadas ao pé de um morro, em Menlo Park. Foi um período de muita atividade para todos nós. Setenta e cinco pessoas trabalharam 20 horas diariamente e tiveram poucas horas de sono – e prosperaram.

Eu os alimentei e coloquei um homem tocando órgão enquanto trabalhávamos. Certa vez, no meio da noite, enquanto fazíamos uma refeição, surgiu algum assunto que me levou a mencionar a cerejeira ao lado do morro entre as instalações principais e a fábrica de lâmpadas. Ninguém parecia saber nada sobre a localização da cerejeira. Isso me fez conduzir uma pequena investigação e descobri que, embora 27 desses homens tivessem usado esse caminho todos os dias durante seis meses, nenhum jamais percebera a árvore.

O olho vê muitas coias, mas o cérebro médio registra pouco dessas coisas.
De fato, ninguém tem a mínima percepção de quão pouco o cérebro “vê” a menos que tenha sido altamente treinado. Lembro-me de ter parado para observar um homem cuja tarefa era controlar o funcionamento de centenas de máquinas sobre um mês. Perguntei-lhe se estava tudo bem.“Sim, está tudo bem”, disse ele.

Mas eu já havia notado que duas máquinas haviam parado. Chamei sua atenção para o fato e ele ficou atormentado.

Ele confessou que, embora sua única tarefa fosse controlar o adequando funcionamento de cada máquina, não havia reparado que aquelas duas haviam parado. Se eu pudesse passaria o resto da vida pensando. Não preciso de ninguém para me entreter. Isso também ocorre com meus amigos John Burroughs, o naturalista, e Henry Ford, mecânico nato. Somos capazes de obter enorme satisfação do ato de pensar, pensar e pensar.

O homem que não se decide a cultivar o hábito de pensar desperdiça o maior prazer da via. Não apenas perde o maior prazer, como não
consegue aproveitar o máximo de si mesmo. Todo o progresso, todo o sucesso, floresce do pensamento.

Bibliografia
“Eles não querem pensar” in The diary and assundry observations de Thomas Alva Edison. The Philosophical Library, 1948 – Tradução Ruth Gabriela Bahr – Os Gênios dos Negócios, Elsevier 2004

esfinge

Ao Planejar o seu dia, reserve tempo para pensar

B. C. Forbes

 

Você planeja seu dia ?

Se o faz, você reserva tempo suficiente para pensar ?

“Quando empresários pensam ?” é a interessante pergunta feita por um homem que se dá um tempo para pensar.

Bem, quando é que eles para para pensar ? Eles realmente pensam muito ?

Suponho que as resposta sejam algo como:

Muitos empresários, talvez a maioria, não reservam tempo em suas agendas para reflexão tranquila e serena.

Boa parte programa sua vida para que possa dedicar-se um ou duas vezes por semana à leitura e a um pouco de reflexão.

Outros tantos homens ocupados são levados ao sabor dos acontecimentos, dia após dia e semana após semana e se satisfazem em tomar decisões rápidas o dia todo em qualquer assunto que o dia lhes apresente.

Quando Frank A. Vanderlip foi presidente do maior banco do Estados Unidos, todo o seu dia era tomado por uma sequencia ininterrupta de reuniões e compromissos. Uma vez perguntei-lhe: “Quando vocÊ encontra tempo para pensar ?” Ele respondeu: ” Como você pode imaginar, certamente não posso permitir-me o tempo aqui no banco para uma boa reflexão. Preciso fazê-lo em casa.”

Harriman, o gêncio da ferrovia, uma vez declarou que gostava de aparecer sem ser anunciado e encontrar algum de seus executivos com os pés sobre a mesa, aparentemente fazendo nada. Harriman pressupunha que o homem estivesse pensado.

Não é verdade que nove entre dez executivos hesitaram se envergonhariam até, de estarem sentados à mesa aparentemente não fazendo absolutamente nada ? Não se tornou chique parecer atarefado a cada minuto do dia ?

Durante o último espasmo da Grande Depressão (1929) neste país uma grande empresa ficou em sérias dificuldades financeiras e um grupo de banqueiros precisou controlar a situação. Foi necessário desenvolver urgentemente um plano para a reorganização da empresa. Os banqueiros deviam colocar suas mentes para funcionar e oferecer sugestões ou um programa na próxima reunião.

Nessa reunião, depois de ouvir as idéias um tanto vagas de seus colegar mais velhos, um jovem presidente de banco levantou-se e expôs um plano completo. Primeiro ele apresentou um quadro completo e minucioso de cada fase da posição da empresa e depois fez recomendações de como cada questão deveria ser administrada. Seu plano foi recebido com aprovação unânime.

Ao Final da reunião, um dos banqueiros mais velhos disse ao jovem presidente que daria um milhão de dólares para ter a capacidade de analisar tão claramente um problema tão complicado e desenvolver uma solução tão minuciosa.

Como o jovem banqueiro conseguia ? Devotando cinco noites por semana, não apensa à leitura ociosa, mas à leitura séria, à reflexão intensa e ao estudo. Todo esse plano de reorganização fora desenvolvido por ele em sua casa durante longas noites de sério esforço.

Daniel Guggenheim, dirigente da famosa família siderúrgica, uma vez me disse: ” O homem que trabalha doze meses por ano, trabalha apenas seis meses por ano. ” Ele queria dizer que qualquer homem com grandes responsabilidade precisa ter tempo para a recreação do seu corpo e da sua mente.

Temos sempre em mente o simples e básico fato de que todo o sucesso se origina no pensamento ? Não apenas o sucesso, mas tudo o mais surge em forma de pensamento na mente de algum homem. Durante anos, o prédio da Woolworth não passou de uma idéia na mente de Frank W. Woolworth. A Steel Corporation, de US$ 1 bilhão, primeiro foi um pensamento na mente de um indivíduo, Charles M Schwab. E a esfinge egípcia foi, antes de mais nada, um pensamento.

Se pudermos convencer-nos, e lembrar-nos sempre, de que pensar é o material do qual é feito o sucesso, isso não nos influenciará a planejar  nossos dias e semanas e a reservar mais tempo para a reflexão tranquila e serena?

Bibliografia

“Ao planejar seu dia, reserve um tempo para pensar” in Malcom Forbes: the man who jad everything diary and assundry observations de Christoper Winans. New York: St. Martin´s Press, 1990 – Tradução Ruth Gabriela Bahr – Os Gênios dos Negócios, Elsevier 2004